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resenhas
Tudo em trкs
Os dois estavam juntos em Nova Iorque, dividindo uma corrida de tбxi que transitava naquele momento pela Park Avenue quando surgiu novamente o assunto. Fizeram entгo um acordo verbal pelo qual Asimov deveria sempre insistir que Clarke era o melhor “escritor de ficзгo cientнfica” e que ele estava em segundo lugar. Por sua vez Clarke deveria honrar sua parte no tratado insistindo que Asimov era o melhor “escritor cientнfico”, e que nesta categoria ele ocuparia a segunda posiзгo. Debaixo de uma multidгo de sorrisos o acordo foi sempre respeitado. Em 1972, provavelmente a primeira vez que o tratado foi divulgado por escrito, Clarke publicou o livro “O Terceiro Planeta”. Na dedicatуria: “De acordo com as clбusulas do Tratado Clarke-Asimov o segundo melhor escritor cientнfico dedica este livro ao segundo melhor escritor de ficзгo cientнfica”.
Sempre se disseram grandes amigos. Mas, nгo sei se por ciъme ou necessidade de colocar um pouco de ordem em sua prуpria fonte criativa, Clarke criou trкs leis. Sem vнnculo direto com as trкs leis da robуtica descritas por Asimov, as Trкs Leis de Clarke tratam da relaзгo do homem com a tecnologia: 1) Quando um renomado e idoso cientista afirma que alguma coisa й possнvel, possivelmente ele estб certo. Quando afirma que algo й impossнvel, ele provavelmente estб errado; 2) A ъnica maneira de se descobrir os limites do possнvel й se aventurar um pouquinho no impossнvel; 3) Qualquer tecnologia suficientemente avanзada й indistinguнvel da magia. E apesar de afirmar que trкs leis eram suficientes para ele, pois haviam sido suficientes para “os dois Isaacs” (Newton e Asimov), no Apкndice 2 de “The Odissey File” ele, com seu bom humor caracterнstico, descreve a sua lei de nъmero 69: “Ler manuais de computador sem o hardware й tгo frustrante quando ler manuais sobre sexo sem o software”. Os temas extremamente criativos, as observaзхes bem humoradas e inspiradoras e os enredos inteligentes recheiam seus mais de 70 livros, o que, sem dъvida, gerou os 50 milhхes de cуpias que vendeu no mundo inteiro. Clarke foi laureado com os maiores prкmios de Ficзгo Cientнfica: Hugo (atribuнdo pelos leitores – duas vezes), Nebula (conferido pelos escritores do gкnero), Grand Master (Science Fiction Writers of Amйrica), Kalinga (Unesco), o prкmio AAAS - Westinghouse para textos cientнficos, o Bradford Washbur e um dos prкmios mais “queridos” pelos escritores de FC, o “John W. Campbell”.
Seus best-sellers incluem: O fim da infвncia (1953), 2001 Odissйia Espacial (1968), Encontro com Rama (1973), As Fontes do Paraнso (1978), As Canзхes da Terra Distante (1986) e O Martelo de Deus (1993). Dividiu com Stanley Kubrick uma indicaзгo para o Oscar pela adaptaзгo de “2001...” para o cinema. Atendendo aos pedidos de milhхes de fгs, escreveu as continuaзхes “2010: Segunda Odissйia” (que foi destruнdo pela versгo cinematogrбfica), “2061: Uma Odissйia no Espaзo III” e “3001: A Odissйia Final”. Se o livro original й absolutamente perfeito, das continuaзхes posso dizer: tem quem goste. Nгo й o meu caso. Mas, pelo menos, foram obras inteiramente concebidas e desenvolvidas por ele. O ano de 1988 cria um marco na vida literбria de Clarke: й lanзado “O Berзo dos Super-humanos” (Cradle), em parceria com Gentry Lee. Apesar de ser cientista da Nasa, escritor de Ficзгo Cientнfica e desenhista de jogos para computador, o estilo de Lee й completamente diferente. E isto se faz sentir em todas as obras da dupla. Clarke, se й que se pode usar o termo, “confidenciou” para seus leitores em um chat na internet que o processo de produзгo literбria com Lee й assim: os dois discutem uma idйia, Lee escreve o livro inteiro e no final Clarke faz sugestхes. Й obvio que a “prosa clarkeana” acabou sendo diluнda. E muito. Parece aquele restinho de perfume que fica pairando na ar quando aquela mulher maravilhosa jб dobrou a esquina.
As obras da parceria com Lee sгo ralas. Reaproveitamentos de conceitos e idйias antigas. Sгo focadas em personagens com perfis variados, atй mesmo viбveis, mas deslocados dentro daquele universo. Intrusos. Se uma ostra cria uma pйrola em torno de um grгo de areia, ou seja, um intruso no seu mundo, o mesmo nгo acontece aqui. Fica evidente que as idйias e os personagens nгo saнram da mesma mente o que, em um livro, gera complicaзхes. Esta (na falta de um termo melhor, vou usar a palavra) “humanizaзгo” ou alteraзгo de foco, й sentida por todos os que acompanham a obra do escritor inglкs. Fica aquela sensaзгo de “tempos idos”, de saudade. Gentry Lee й um “bom” autor, nгo me entenda mal. Mas, para assinar um livro logo abaixo do nome de Arthur Charles Clarke, ele teria que ser um “grande” autor. Sinto falta de ler seus romances “solo”, aqueles no melhor estilo de Encontro com Rama. Uma boa notнcia, no entanto, й que finalmente decidiram roteirizar e filmar o livro. Enquanto suas obras mais populares estгo com opзхes para grandes estъdios de cinema (a Universal estб com “O Fim da Infвncia” na gaveta hб mais de 30 anos e Spielberg comprou os direitos para filmagem de “O Martelo de Deus”) uma produtora independente, a Revelations Entertainment uniu-se а Intel (fabricante de chips para computadores) e resolveu viabilizar o filme. Especula-se que o lanзamento deverб ocorrer em 2003. ![]() Hб dois anos e meio atrбs, quando surgiu a idйia, o custo em computaзгo grбfica seria de 300 milhхes de dуlares. Inviбvel. Hoje, com as novas tecnologias desenvolvidas pela prуpria Intel, esta cifra caiu para “modestos” 100 milhхes. Apesar de ainda ser uma fбbula, estб dentro de padrхes aceitбveis pelos estъdios americanos. Bom para nуs. Sobrou ainda dinheiro para pagar o produtor e ator Morgan Freeman, o diretor David Fincher (“Alien 3”, “Seven” e “Clube da Luta”), o prуprio Clarke para consultoria de roteiro e, talvez a jogada de gкnio, a contrataзгo de Jean Giraud que й mais conhecido como Moebius, o premiadнssimo cartunista francкs para fazer a concepзгo artнstica do filme. Moebius й famoso pelos intrincados e minuciosos detalhes de seus cenбrios e livros. E quando o assunto й “Rama”, ninguйm melhor do que ele. E o que й “Rama”? O livro comeзa narrando a queda de dois meteoros na Terra, em 1908 e 1947. Atingindo regiхes desabitadas, nгo causaram grandes conseqькncias, mas levantam para o leitor a teoria de que, literalmente, temos telhado de vidro. A prova final vem entгo no ano 2077. Mil toneladas de rocha e metal, movendo-se a 50 quilфmetros por segundo, pulverizam Verona, Pбdua e Veneza. Seiscentas mil pessoas morrem. E a humanidade dб um basta: “Na prуxima vez saberemos com antecedкncia”. Cria-se entгo um sistema de radares para captar qualquer objeto mуvel, atй o tamanho de um Fusca, que possa aproximar-se da Terra. E, assim que a humanidade abriu os olhos para o espaзo, percebeu que Rama se aproximava.
Uma pequena nave terrestre estava por perto e foi enviada para analisar Rama. Comandada pelo Capitгo Norton (Morgan Freeman, no filme) eles pousam em uma das calotas abobadadas do cilindro. Escolhem uma entre as trкs entradas possнveis, passam entгo por trкs eclusas de ar, deparam-se com trкs escadarias ciclуpicas, com trкs vales, com trкs... de tudo. O que se segue й uma aula de Ficзгo Cientнfica, de como se escrever um livro de entretenimento e de como й possнvel escrever FC baseada em ciкncia, ou seja, verossнmil. As idйias de Clarke parecem absurdas atй o ponto em que um dos membros da tripulaзгo sob o comando de Norton entende os fatos e formula uma explicaзгo fundamentada. O livro, como conjunto de idйias originais, narraзгo, situaзхes inusitadas e desfecho й um dos melhores que o gкnero jб produziu. Mas esteja avisado: quando comeзar a ler, desmarque alguns de seus compromissos, pois vocк vai chegar atrasado. Agradeзa a Clarke a existкncia dos celulares e ligue avisando.
“Encontro com Rama” trata da insignificвncia do ser humano. Primeiro maltratado e humilhado pela natureza, depois olimpicamente ignorado por uma raзa superior. Faz com que nos sintamos como o menininho no primeiro dia de aula na escola nova: perdido. Nгo temos quem nos guie. Precisamos andar com nossas pernas, caindo, levantando, аs vezes brigando e, como sempre, tornando a cair. Й entгo que, o ato de levantar novamente nos diferencia dos animais. Й este o momento em que aprendemos. Em que nos motivamos com nossas prуprias conquistas e temos certeza de nossa coragem. Nada vem de fora. As conquistas sгo sempre pessoais, nгo no espaзo exterior, mas no universo interior. Onde Encontrar o livro: Outros livros do autor: por.Fбbio Marchioro em 23.abr.2004 |
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Olб Fбbio. Obrigado, Andrey Comentado por: Andrey Schmiegelow em 28.jun.2004
Fбbio, bom dia. Com satisfaзгo, informo que consegui encontrar "O enigma de Rama". Estava em viagem, quando passei de carro em frente a um sebo. O exemplar nгo estava nas estantes, mas sim em uma pilha de livros que acabavam de chegar e ainda nгo haviam sido catalogados. Jб estou nas pбginas finais do "A revelaзгo de Rama". Saudaзхes, Comentado por: Andrey Schmiegelow em 24.ago.2004
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