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A Identidade Ludlum

Um homem exibindo ferimentos de balas é resgatado do Mar Mediterrâneo. Não se sabe seu nome. Ele não tem passado. Está sofrendo de amnésia. Seu rosto mostras sinais de que passou por uma cirurgia plástica. Suas córneas evidenciam uso prolongado de lentes de contato. Mas ele não tem problemas na vista. Provavelmente serviam ao único propósito de camuflar a verdadeira cor de seus olhos. Ele fala em várias línguas diferentes enquanto delira. Um minúsculo fragmento de micro-filme havia sido cirurgicamente implantado sob sua pele onde aparece o número de uma conta em um banco na Suíça e as iniciais “JB”.

A história de como este homem se recupera, consegue sacar 4 milhões de dólares de sua conta, e descobrir que, entre outras coisas, está sendo caçado por várias agências de inteligência e, pior, por Carlos o Chacal, o maior assassino de todos os tempos, é a trama central deste livro de Robert Ludlum.

Usando uma técnica que domina com perfeição, Ludlum coloca o leitor tão próximo aos eventos e aos personagens que parece estar narrando do ponto de vista do protagonista, Jason Bourne. Sem cair nas armadilhas limitantes deste estilo narrativo, o leitor só descobre o que está acontecendo, quando efetivamente isto acontece com Bourne. A experiência, ao longo do livro inteiro, é intensa.

Ludlum, americano, teve experiências em teatro que afetaram sua forma de escrever no que se refere à caracterização das suas personagens, o ritmo da narrativa, o suspense e até o humor. Chegou a produzir na Broadway uma peça em que atuou o hoje famoso ator Alan Alda. Logo em seguida, em 1971, publicou seu primeiro livro, “A Herança Scarlatti”. Best Seller instantâneo, facilitou suas decisão e, com o pagamento que recebeu, passou a dedicar-se integralmente à literatura.

Ao longo de 30 anos, um número impressionante mesmo para o mercado americano, escreveu 21 romances e vendeu mais de 200 milhões de cópias de suas obras. Todas, sem exceção, fizeram parte da lista dos mais vendidos do New York Times. Em 1988, o romance “A Identidade Bourne” foi filmado e estrelado por Richard Chamberlain e Jaclyn Smith. Nada se ouviu falar a seu respeito no Brasil. Com a morte de Ludlum, aos 73 anos, no dia 13 de março de 2001, os estúdios de cinema se digladiaram e a Universal conseguiu os direitos de refilmagem do livro. Estrelado por Matt Damon, deverá estrear ainda em 2000.

Ludlum, ao longo de toda sua obra, dirige a atenção do leitor para o papel e a ação do indivíduo na preservação de seus direitos, o valor da competição e da superação dos próprios limites, a falha das instituições educacionais em preservar ideais, as tentações do poder, a importância da lealdade pessoal face a organizações impessoais e a natureza do mal. Deseja refletir como se pode hoje em dia entender, suportar e até conviver com as paranóias modernas: conspirações, violência e intolerância.

capa da edição brasileira pela Editora RoccoAmbienta seus romances em torno de personagens fortes, mas sem carregar nas tintas. Suas personalidades e atributos são verossímeis e Ludlum, impiedosamente, os joga contra imensas corporações, os envolve em tramas com nazistas e neo-nazistas, tenta (sem sucesso) duas incursões na área do humor e recheia suas páginas de espionagem, conspirações, terrorismo internacional e as distorções culturais provocadas pela desmesurada confiança na tecnologia.

Justamente o que agrada seus leitores sempre fez com que os críticos suspirassem fundo e dissessem: “Lá vem mais um livro enorme do Ludlum”. Um renomado crítico do Washington Post disse sobre um de seus romances: “Era uma droga de um livro...” e com um sorriso amarelo completou “por isto fiquei acordado até as 3 horas da manhã para terminar sua leitura.”

Contemporâneo de autores como David Morrell, John LeCarré, Frederick Forsyth e Jack Higgins, chegou a influenciá-los. Nem todos seus romances são brilhantes, mas se você ler com atenção vai entender porque escritores como Tom Clancy e John Grisham gostam de Ludlum. Sua influência é marcante em todas as gerações de escritores que se seguiram.

Como seus personagens, Ludlum também tinha várias personalidades. Publicou os livros “Trevayne” e “O Grito de Halidon” com o pseudônimo Jonathan Ryder e “A Estrada para Gandolfo” foi assinada como Micheal Shepherd. Esta é a relação completa de suas obras: A Herança Scarlatti (1971), A Visita do Casal Osterman (1972), Trevayne (1973), A Troca de Rhinemann (1974), O Grito de Halidon (1974), A Estrada para Gandolfo (1975), Gêmeos não se Amam (1976), O Segredo Mortal (1976), The Chancellor Manuscript – 1977, O Documento Holcroft (1978), O Círculo Matarese (1979), A Identidade Bourne (1980), O Mosaico de Parsifal (1982), O Avanço de Aquitânia (1984), A Supremacia de Bourne (1986), A Agenda Icarus (1988), O Ultimato de Bourne (1990), O Caminho para Omaha (1992), A Ilusão de Scorpio (1993), Sentinelas do Apocalipse (1995), O Fator Hades (com Gayle Lynds, 2000), The Prometheus Deception (2000), The Cassandra Compact (lançado em maio de 2001, após sua morte).

Sabe-se ainda que, sua editora, Saint Martin Press, tem em seu poder “pelo menos” três outros livros que Ludlum já havia terminado e que serão publicados ao longo dos próximos anos.

“A Identidade Bourne” faz parte de uma trilogia. Seguiram-se “A Supremacia de Bourne” e “O Uiltimato de Bourne”, escritos ao longo de 10 anos e que constituem, sem sobra de dúvida, o seu maior sucesso.

Muito do seu conhecimento de armas e táticas veio do tempo em que havia servido como Marine, uma das forças militares mais bem treinadas dos Estados Unidos. Ludlum pesquisava muito antes de escrever, o que aproximava seus livros da realidade. Talvez seja isto o que o tenha tornado tão popular. A medida certa para aquele personagem que não tem visão de raios x nem super-velocidade, nem super... nada. Só a vontade de conseguir.

Onde Encontrar o livro:
» submarino
» cultura
» barnes and noble (original em inglês)
» amazon (original em inglês)

Onde Encontrar o filme:
» submarino

por.Fábio Marchioro em 19.jul.2003 | + sobre resenhas |
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