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Pilares do Passatempo

Quer passar uma temporada em uma caverna com um ermitão? Presenciar um autêntica batalha entre cavaleiros ingleses durante a idade média? Desbravar territórios desconhecidos? Entrar em mansões, quitinetes e cortiços? Ser admitido na casa, na vida e nos pensamentos de todos os tipos de pessoas? É isto o que a literatura de entretenimento oferece. Diversão, inspiração e instrução... sem dor.

Acredito no valor da literatura de entretenimento como uma formadora de público, como um ponto de partida, como o primeiro degrau. Ao longo dos anos tive contato com diversos livros deste tipo que, apesar do tempo, continuam atuais. Nas próximas semanas, vou resenhar alguns destes romances.

Capa da edição inglesa“Os Pilares da Terra” – 2 volumes – Ken Follett - (Editora Rocco, 1991).
Assim que foram lançados devorei os dois volumes. Foi uma experiência de imersão. Todos os instantes livres que tive naqueles dias, dediquei à obra.

Foi a primeira vez que, durante o trabalho, atendendo clientes, percebi estar pensando em personagens de um romance como se fossem meus conhecidos. “Pilares...” cumpriu com louvores a missão que Follett determina para seus livros: “O principal desafio para um escritor é criar um mundo imaginário e então arrastar o leitor para lá.”

Apesar da tradução daquela edição ser pobre, passei aquela semana como se estivesse envolvido pessoalmente na construção da catedral de Kingsbridge, no interior da Inglaterra, em 1123. Lembro de estar parado com o carro em um sinaleiro, pensando no que estaria acontecendo naquele momento com Jackson, Philip e aquele safado do William... até que fui trazido de volta pelas impacientes buzinas dos carros.

Ken FollettKen Follett nasceu em Cardiff, País de Gales, em 1949. Diplomou-se em filosofia e começou a vida profissional como repórter no Evening News, de Londres. Chegou a ser chefe de redação. Enquanto trabalhava no jornal, publicou vários livros de pouca expressão entre 1974 e 1977. Seu primeiro best-seller, O Buraco da Agulha, foi publicado em 1978. Em seguida vieram: Triângulo, 1979; A Chave de Rebeca, 1980; O Homem de São Petesburgo, 1982; O Vôo da Águia, 1983; Na Toca do Leão, 1986; Os Pilares da Terra, 1989, Noite Sobre as Águas, 1991; Uma Fortuna Perigosa, 1993; Um Lugar Chamado Liberdade, 1995; O Terceiro Gêmeo, 1996; O Martelo do Éden, 1998; Code to Zero (sem título em português) 2000.

Follett é casado, fã incondicional de Shakespeare e seus cabelos grisalhos são mantidos sabe-se lá por qual milagre em um topete estilo anos 70. É presidente de um instituto que estuda a dislexia e, para relaxar, toca baixo em uma banda de blues chamada Damn Right I Got the Blues.

Capa da edição americanaDizem que escrever um romance é uma tarefa solitária. Deve ser mesmo, mas só para aqueles autores que, enquanto trabalham, não têm em mente os seus leitores. Qualquer livro é uma obra que só será completa quando for lida e compreendida. A leitura é um trabalho em equipe e Ken Follett sabe disto. Diz que trabalha muito para construir frases simples, no que ele chama de “prosa transparente”.

Depois do estrondoso sucesso de seis romances de espionagem, Follett surpreendeu seus fãs e seu agente, Albert Zuckerman, com “Os Pilares da Terra”. Da primeira frase do primeiro volume (“Os garotos chegaram cedo para o enforcamento.”) até a última do segundo volume, Follett, experiente, mantém o leitor com várias perguntas na cabeça.

Capa da edição alemãMas ele não trabalha com o suspense como nos seus outros romances. Aqui ele não mantém o leitor com os olhos arregalados, a respiração curta, virando uma página depois da outra, sofregamente. Não importa tanto o fim, mas o caminho para o fim. As perguntas que o leitor é levado a formular, como nos livros de espionagem, começam com “O que será que...?”, mas desde as primeiras páginas se percebe que as respostas virão, calmamente, no seu próprio ritmo, acompanhando cada curva das estradas barrentas do interior da Inglaterra medieval.

Capa da edição brasileiraLentamente, era como aconteciam os fatos naquela época. Lentamente se construía uma catedral. Lentamente se construía uma reputação. Boa ou má. Lentamente o leitor é conduzido, pela mão, sem sustos, por castelos, abadias e choupanas, casamentos, festas e batalhas.

Como as catedrais medievais, Follett deixa claro que uma família, uma religião, uma idéia ou uma nação, precisam de apoio, de sustentação. E lendo sua obra percebe-se que, na base de tudo, na base dos pilares, sempre existirão pessoas.

Onde Encontrar:
» submarino vol1, vol2
» cultura vol1, vol2
» barnes and noble (original em inglês)
» amazon (original em inglês)

por.Fábio Marchioro em 03.jul.2003 | + sobre resenhas |
Comentários:

Já faz algum tempo que li um livro intitulado como "Como escrevrer um romance de sucesso, e nesse livro mostra algumas técnicas que Ken Follett usou no "O Homem de São Petesburgo" e vi que é isso o que realmente vale num livro: criar expectativas no leitor, dúvidas, viver os anseios dos personagens e tenho certeza de que Follett usou novamente essas e outras técnicas em "Os Pilares da Terra". parabéns Follett.

Comentado por: Clóvis F. em 04.jul.2003


Pilares da Terra é o melhor livro que já li na minha vida.

Comentado por: paulo em 19.jan.2004


Assim como os livros de Follet, este artigo nos leva a ser fãs do escritor mesmo que ainda não o tenhamos lido.

Comentado por: Eliumar em 19.fev.2004


Gostaria de Saber quanto custa todos os livros lançados.

Comentado por: Luiz Carlos em 23.jun.2004


Já li vários livros do ken Follet, como Buraco da Agulha, Triângulo, Na toca dos Leões, etc, mas os Pilares da Terra é um livro especial, daqueles que dá saldades, amizade e admiração por alguns personagens e até ódio por outros no caso o famigerado Willian e o canalha do Bisbo Wahen

Comentado por: Elias em 07.jan.2005


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