Publicar ou não? Eis a questão.

Publicação AlternativaUma dúvida de todo novo escritor é que se as editoras demorarem muito para responder positivamente ou acabarem rejeitando o novo livro, será que deve-se buscar alguma forma de publicação alternativa? E é uma dúvida mais do que válida.

Pense assim: você teve uma idéia maravilhosa. Única. Você tem certeza que seu livro vai ser espetacular e planejou o texto nos mínimos detalhes, cena a cena, capítulo a capítulo. Seus personagens são verossímeis e parecem sair das páginas e fazer parte da vida real. Milhões de pessoas vão querer ler sua obra prima. Sua família e seus amigos dizem que você é o seu escritor preferido. Alguns mais entusiasmados dizem que você vai ser famoso e vai virar milionário porque seu estilo é único, a estruturação do seu romance é perfeita e as musas da alta literatura deveriam se inspirar em você antes de ir assoprar idéias em ouvidos alheios.

Mas nenhuma editora concorda.

Depois de algumas cartas de rejeição, cuja pilha parece ter 17 metros de altura, você decide que o mundo não pode ser privado de um livro como o seu e busca alternativas de publicação. E chega ao site do Parágrafo e encontra… brincadeira. Desculpe, não resisti.

Mas o fato é: existem alternativas? A resposta é…

(criando suspense)…

…sim.

Publicação tradicionalHoje em dia existe saída para autores que foram rejeitados por editoras. Ou para aqueles que não querem se dar ao trabalho de esperar, às vezes, mais de um ano por uma resposta. Ou que desejam imprimir a biografia do Vovô para dar de presente para os convidados nas comemorações de 90 anos do velhinho.

E isto é uma coisa maravilhosa. Além disso, ser rejeitado por uma editora, ou duas, ou várias, não significa que você deva forrar o fundo da caixa de areia de seus gatos com páginas do seu original. Existem muitos motivos pelos quais obras são rejeitadas. Pode ser que determinada editora esteja com o seu planejamento anual completo, ou que a linha de outra não coincida com o tema do seu livro, ou sabe-se lá Zeus porque, não gostaram do que você escreveu.

Ou (bata na madeira três vezes) escrever literatura não é o seu forte e seu produto final não corresponde aos mínimos padrões de qualidade estabelecidos pelo mercado editorial. Sim. Infelizmente esta última opção deve ser levada em consideração: apesar do que sua mãe, namorada, marido ou amigos dizem, pode ser que você não seja um bom escritor.

Existe uma alternativa para saber se você está na última categoria: contrate um revisor ou parecerista profissional. Ele será brutalmente honesto com você. E, juro, nós escritores às vezes precisamos de um bom choque de realidade. E às vezes ela dói.

Para todos aqueles que não estão incluídos no parágrafo anterior e concluíram que estão em poder de material de alta qualidade, existe a publicação alternativa.

Quanto a esta opção recebi um e-mail com a pergunta:

– Mas o produto final é tão bom quanto um livro de verdade?

Não sei quem foi que criou a falsa idéia de que, em primeiro lugar, existe esta coisa chamada “livro de verdade”. Acho que são pessoas que só vêm qualidade naquilo que já está exibido nas livrarias. Veja o que me disse uma das mais famosas agentes literárias do Brasil:

– Meu maior pesadelo como parecerista, quando trabalhava para uma grande editora, era quando a gente estava lá, soterrada em originais, e vinha a ordem de “limpar a mesa”. A gente simplesmente devolvia o material sem ler ou incinerava tudo. E eu ficava pensando que naquela pilha, ali, do meu lado, estava o próximo Harry Potter ou Paulo Coelho. E eu não tinha conseguido ler o material. E, para ser sincera, isto aconteceu. Mais de uma vez. Tive que devolver sem ler livros que se transformaram em best-sellers em outra editora.

Biblioteca de Tomas JefersonPode ser que aquele seu livro que foi rejeitado estivesse em uma destas pilhas. Quem vai saber? Agora, se você contratou os serviços de um(a) parecerista e os comentários são favoráveis, e se você tem certeza absoluta que seu produto final é de qualidade invista em uma das alternativas que indicamos abaixo.

Nesta hora do papo sempre aparece o comentário:

– Mas aí eu vou ter que fazer toda a divulgação do livro por conta própria.

Não sei de onde você tirou a idéia de que sua “editora verdadeira” iria criar, desenvolver e manter um web site para você, que neste início de sua carreira iria pagar um coquetel de lançamento em cada capital brasileira e que te daria duas passagens de primeira classe para você ir conhecer a Feira de Frankfurt. Você está por conta própria. Você vai ter que montar seu site, seu blog, investir em divulgação e promover seu livro e seu nome. Ou não vai fazer a menor diferença para o público leitor quem você é e o que você escreveu.

– E o estigma de publicar um livro assim?

Já perdendo a paciência, afirmo: qual a diferença? Ou você lança mão deste maravilhoso recurso ou vai ficar com o original na gaveta dizendo pelo resto da vida aquela bobagem: – Eu escrevo só para mim mesmo(a) e não me importa se ninguém vai ler.

Existem editoras que consideram um livro previamente publicado como carta fora do baralho. Não re-publicariam a obra. Mas, de novo, qual a alternativa? Esperar que algum dia um antivírus no seu computador deixe passar um gol e você tenha que formatar seu HD e perca o material inteiro? Nada disso. Publique esta bagaça de uma vez por todas e vá escrever mais um livro.

Estamos interessados na sua opinião e experiência. Se desejar ler mais a respeito deste assunto, pesquisei diversos serviços de impressão sob demanda para avaliar qual o melhor.

8 comments for “Publicar ou não? Eis a questão.

  1. 26 de junho de 2009 at 17:43

    Conheço uma editora onde faz as edições por demanda. Publiquei meu livro por lá, MUITO BARATO! E a partir de 5 exemplares. Muito útil para quem não quer esperar as grandes editoras e quer ter o livro em mãos, sejam quantos forem.

    cidadelaeditorial.com.br

    • 26 de junho de 2009 at 17:49

      Obrigada Felipe, pela sua contribuição.
      No artigo seguinte a este, Soluções de Publicação Alternativa, analisamos diversos serviços de publicação sob demanda.
      A empresa que citou, não parece ter distribuição através de lojas online, sendo o autor o vendedor do próprio livro. Talvez você se interesse pelo artigo que citei. Acredito que encontrará boas soluções.

  2. lucas
    22 de outubro de 2009 at 18:24

    É verdade.
    Eu conheço um serviço de impressão, o livro rápido (http://www.livrorapido.com.br/novo/).

    Eu tentarei o método mais natural (e mais difícil e demorado e sofrido) que é as editoras.

    =)

  3. Sônia
    15 de dezembro de 2009 at 7:12

    Interessante!
    Estou escrevendo um livro onde o alvo é o publico GLS.
    Também, depois de tanta mulher na minha vida, tinha mesmo que contar para o mundo que o caráter de uma pessoa não está em ser homo ou hetero, nem tampouco a essência da alma está no perfume importado.
    Parabéns! Quando finalizar o livro vou procurar por vocês. RSSSSSS1

  4. cindi
    9 de março de 2010 at 11:10

    Como encontrar um revisor ou parecista na minha cidade? Aqui não têm nenhuma editora. Acreditem!!

    • 9 de março de 2010 at 12:42

      Oi Cindi,

      O revisor ou parecerista não precisa morar na sua cidade. Como você tem acesso à Internet, você pode enviar eletrônicamente o material para avaliação.

      Tomás Barreiros é um amigo nosso que faz este tipo de trabalho com muita proficiência e pode ajudar (publicamos um artigo dele sobre revisão que pode dar uma idéia de como ele pensa e tem todos os dados para contato) ou você pode pesquisar por professores/profissionais de Letras ou Jornalismo que prestam este tipo de serviço.

      Boa sorte!

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